10 de jul de 2009

Estudo: cabelos brancos são causados por estresse celular

O estresse relacionado ao trabalho ou à vida pessoal pode fazer você querer arrancar os cabelos, mas um recente estudo revelou que é o estresse celular que, na realidade, os faz embranquecer.

Isso porque o DNA sofre "ataques constantes" de agentes nocivos, tais como agentes químicos, luz ultravioleta e radiação ionizante, de acordo com a líder da pesquisa, Emi Nishimura, da Universidade de Medicina e Odontologia de Tóquio.

Uma única célula mamária pode, em um único dia, enfrentar até 10 mil incidentes que danificam seu DNA, acrescentou Nishimura em uma declaração. As células-tronco presentes nos folículos capilares responsáveis pela coloração dos fios são as mais afetadas por esse irreparável desgaste.

Células-tronco são células que podem se reproduzir indefinidamente e que possuem potencial para "amadurecer", dando origem a outras células mais especializadas. As células-tronco presentes nos folículos capilares se transformam em melanócitos, ou células que produzem o pigmento melanina.

Em indivíduos mais jovens, as células-tronco capilares mantêm um equilíbrio entre aquelas que se reproduzem e aquelas que se transformam em células pigmentares, de modo que o pigmento seja constantemente adicionado ao cabelo que cresce. Entretanto, com o passar dos anos, muitas das células-tronco amadurecem até as células pigmentares se esgotarem por completo e o cabelo passar a crescer com cor acinzentada.

Cientistas ainda têm dúvidas sobre o que exatamente incita a modificação das células-tronco. De acordo com Nishimura, a resposta pode estar no acúmulo de danos ao DNA.

Forçar o amadurecimento das células pode ser a "maneira mais sofisticada" do corpo de expurgar as células-tronco danificadas sem matá-las, ela afirmou.

Danos Inevitáveis


"Nos focamos no processo de embranquecimento dos fios pois este é um sinal típico do envelhecimento em mamíferos", escreveram os autores.

Os pesquisadores submeteram roedores a exames de raio X de corpo inteiro e a injeções químicas. Ao examinar os folículos capilares dos roedores, a equipe percebeu que as células-tronco tinham sinais de dano permanente. Posteriormente, o pêlo destes animais cresceu sem nenhuma pigmentação.

O estudo apóia a idéia de que a instabilidade dos genes pode ser um importante fator responsável pelo envelhecimento, dizem os autores. Os resultados também dão credibilidade à teoria de que danos às células-tronco podem ser o maior determinante do envelhecimento.

Para os autores, os danos ao DNA observados na pesquisa são essencialmente "inevitáveis".

Linzhao Cheng, membro do Instituto de Engenharia Celular da Universidade John Hopkins, concordou que é difícil evitar danos às células-tronco, especialmente em pessoas que passam muito tempo em ambientes externos, onde ficam expostas à radiação solar ultravioleta.

Contudo, o estudo auxilia a comunidade científica no entendimento do embranquecimento, afirmou Cheng por e-mail, o que pode levar à descoberta de novas substâncias químicas capazes de prevenir a mudança de papel das células-tronco capilares.

"Em breve, teremos cremes antiembranquecimento para a população", disse ele. O referido estudo foi publicado no periódico especializado Cell.

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