11 de fev de 2010

Calor excessivo prejudica sono e pode ser amenizado com cuidados especiais

Uma casa fresca deve ter paredes brancas, segundo especialista.
As janelas devem estar em posições para o vento cruzar o ambiente.

Alto verão no Rio de Janeiro: praias cheias, gente bronzeada, todo mundo feliz. Feliz de dia, porque quando chega a hora de dormir. Em janeiro, as noites cariocas ficaram entre 1ºC e 2ºC, mais quentes do que a média histórica. Não foi só no Rio de Janeiro. Em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, a madrugada de quarta-feira registrou 29,6ºC. Isso na hora mais fria do dia.

Com um calorão desses, banho de mar já virou programa noturno. Às 21h, o Arpoador, no Rio de Janeiro está lotado de banhistas. As noites têm sido de praia cheia.

Na visita a uma casa em Bangu, um dos bairros mais quentes do Rio, é possível saber exatamente o que significa uma noite quente neste verão 2010. O engenheiro Leopoldo Bastos, especialista em conforto térmico, identificou os pontos mais quentes da casa.

“O lugar mais quente é o meu quarto”, avisa a pensionista Celene Borges da Silva. A temperatura no quarto era de 33,8ºC. “Essa temperatura é a medida por esse termômetro. Você não está medindo a temperatura radiante que vem através das paredes”, destaca o engenheiro.

No quarto ao lado, outros dois ventiladores também não dão conta do calor. "Com muito calor, eu acordo, levanto, tomo banho, deito. Faço isso praticamente todos os dias. São três, quatro banhos por noite”, calcula o estudante Shermam da Silva.

Difícil pegar no sono

É na temperatura de 34ºC que Sherman se deita. Mas será que ele dorme? Para pegar no sono, a temperatura interna do corpo tem que diminuir.

“O sono é uma fase de relaxamento. Então, todas as atividades do corpo humano reduzem. Agora, em um ambiente muito quente, úmido, o corpo tem dificuldade de entrar nesse relaxamento. Pelo contrário, ele entra numa atividade que a frequência cardíaca, a pulsação, fica acelerada, em uma maneira para preservar a temperatura estável, ele perde mais calor para o meio”, explica o médico Marcos Brioschi.

E a pessoa não dorme. Com uma câmera especial é possível ver o que diz o médico. Quanto mais vermelha a imagem, mais quente. A câmera identifica que a temperatura no travesseiro está 35ºC. No corpo, 37ºC. A avó também pena. Vira, revira e não pega no sono.

A pedido do Fantástico, a médica cubana Olga Fustes, dona de uma clínica em Curitiba, monitorou o sono de uma pessoa saudável em um ambiente com temperatura semelhante à da casa de Dona Celene e Sherman. O computador analisa a atividade cerebral, respiração, batimentos cardíacos, movimentação do corpo.

O que ela descobriu? Um número excessivo de microdespertares, muita agitação e, pior, a ausência total da fase do sono chamada REM, aquela que descansa de verdade.

“Com certeza, isso é provocado pelo calor”, diz a neurologista Olga Hernandez Fustes.

Na casa da vizinha de Dona Celene, alguns graus a menos fazem diferença.

“É muito quente, tem que ter o ventilador de teto, mais um em cima da gente e sem o ar condicionado não dá pra dormir. Tem que dormir com o ar condicionado”, conta a aposentada Lenir Salcier Soares.

Dona Lenir vai para a cama com o ar condicionado ligado. Pouco tempo depois, a cabeça ainda está vermelha na câmera especial. Mas a imagem é bem diferente da de Sherman, que não tem ar condicionado.

“O corpo dela está com uma temperatura normal”, diz o engenheiro Eduardo de Azambuja.

Mesmo sem investir em um ar condicionado, dá para amenizar o calor de uma casa.

“Do lado de fora, o ideal justamente é ter um revestimento de parede claro, porque pedra absorve muita radiação do sol. Um piso mais claro e, de preferência que fosse gramado”, sugere o engenheiro Leopoldo Bastos.

Dicas para refrescar a casa

Uma casa fresquinha deve ter paredes brancas. Se forem pintadas com cal, melhor ainda porque cal reflete mais os raios do sol. Como o ar quente sobe, o pé direito precisa ser alto, para manter o calor bem acima da cabeça. As janelas devem estar em posições para o vento cruzar o ambiente.

O telhado - de preferência com telhas de barro, as mais frescas - deve sombrear as laterais. E ter aberturas para permitir a ventilação.

Um casal está terminando a casa nova. A preocupação é que ela seja arejada: “Uma casa ampla, fresca, bem alta, que tivesse bastante espaço e com muitas janelas”, planeja o ourives Wallace Diniz.

Mas a área do churrasco ficou quente demais. Culpa do telhado. A arquiteta sugere uma cobertura vegetal.

“A ideia é aproveitar esse espaço e fazer uma jardineira na extensão toda com o máximo de profundidade possível. Pelo lado de dentro, coloca cabos de aço esticando dessa parede até a outra. A trepadeira vai sair e se espalhar pelo telhado todo, sem encostar no telhado e protegendo o telhado desse calor intenso”, mostra a arquiteta Alexandra Lichtenberg.

É uma opção mais barata do que os telhados gramados. Eles são frescos, mas a instalação e a manutenção são mais complicadas.

Sem grama nem trepadeira no telhado, muito menos ar condicionado. Fazer o quê? “Levantar, jogar uma aguinha gelada e voltar de novo, tentar dormir”, sugere um carioca. “Um banho frio e deitar molhado.”

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